
Por: Manuel H. Domingues-Heleno
Como criar milhares de postos de trabalho e alimentar os cofres do Estado?
Resposta: As Apostas e as Corridas de Cavalos
Seguramente por estarem mal informadas, as autoridades governamentais ainda não se aperceberam que, contrariamente aos jogos como os dos casinos, como o euro milhões, totoloto, etc., as apostas e as corridas de cavalos podem ser um importante pólo de desenvolvimento do País, criar milhares de postos de trabalho, favorecer grandemente a agricultura, ajudar a pesquisa cientifica, colaborar com a cultura, oferecer distracção sã aos cidadãos, enfim, proporcionar riqueza e contribuir para o prestígio de Portugal.
Enquanto sucessivos ministros dão volta à cabeça para descortinar como aumentar as receitas e combater o desemprego, aparentemente ninguém se lembra de um sector que pode perfeitamente servir os interesses do País: as corridas de cavalos com aposta mútua a nível nacional.
Para que não haja dúvidas sobre o que podem ser as apostas e as corridas de cavalos, em vez de paleio, optámos por fornecer alguns números elucidativos do que se passou em França o ano passado.
O total de 1.800 milhões de apostas realizadas pelos 6.550.000 clientes da empresa responsável pelas apostas (PMU), aumentou pela 7ª vez consecutiva (7,6% no último ano) atingindo uma receita anual de 7.560.000.000 euros (o que na nossa antiga moeda corresponde aproximadamente a 1.512.000.000 contos).
E a quem aproveitou esta colossal soma de 7.560 milhões de euros?
Como é evidente, a maior fatia foi distribuída aos apostadores que partilharam entre si 5.481 milhões de euros, sejam 72,5% das somas jogadas (2 jogadores ganharam o ano passado respectivamente 1.700.000 e 1.400.000 euros e 171 auferiram de mais de 150.000 euros).
Ao Estado foram dados mais de 1.000 milhões de euros, que recebeu sem obrigações, nem despesas, nem preocupações…
Mas o que mais relevância tem são os 516 milhões de euros que também foram para o Estado, mas destinados ao alargadíssimo sector equino. E aqui, o marcante é verificar que este importante ramo da agricultura se transforma no motor de uma actividade que emprega 59.000 indivíduos e faz viver 170.000.
Com efeito, além dos criadores, dos proprietários, dos cavaleiros, dos treinadores e dos jockeys, há uma imensidão de indústrias e de profissões que gravitam à volta das corridas: produção agrícola para a manutenção natural dos cavalos, rações, transportes, seguros, correeiros, laboratórios, produtos farmacêuticos, imprensa, televisão, veterinários, comerciantes de cavalos, leiloeiros, centros hípicos, construtores, manutenção dos hipódromos, etc.
Todas estas actividades movimentam enormes somas de dinheiro. Só os leilões de cavalos Puro Sangue Inglês mobilizaram o ano passado 35 milhões de euros (com um poldro de 18 meses comprado por 700.000 euros).
Sabendo que 40% dos apostadores são mulheres e que os franceses jogam em média só 9 euros (duas vezes menos que os ingleses e quatro vezes menos que os irlandeses), e tendo conhecimento que a aposta em corridas está longe de ser um exclusivo de uma elite e ao contrário é um jogo das massas, perfeitamente popular, a receita de 7.560 milhões de euros acima assinalada pode surpreender. É esquecer que a “máquina das apostas” está perfeitamente afinada, possuindo 8.530 locais em que se pode apostar de manhã ou de tarde (com uma capacidade de 1.500 transacções por segundo), além do telefone, da internet e da televisão interactiva (particularmente no canal especializado, Equidia).
Sem sonegar o principal, sejam as 17.179 corridas (em média 16 corridas por dia) organizadas por ano pelas 242 Sociedades de Corridas, sobre 252 hipódromos onde correm os cavalos de 12.200 criadores e 7.500 proprietários, que têm em treino 20.000 animais, para 2.000 treinadores e 4.300 jockeys.
Se tomarmos como exemplo o excepcional do Hipódromo de Chantilly, situado à borda das “Grandes Ecuries” dos Príncipes de Condé, ficamos a saber que só ele aloja 2.000 empregados e 2.500 cavalos, ocupa 1.900 hectares, possui 4 terrenos de treino, 12 quilómetros de pistas em areia e 120 hectares de pistas em erva.
E tudo representa grandes receitas para o Estado e muitos postos de trabalho…
Quantas empresas podem pretender a fazer o mesmo?







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